Ricardo Almeida ajustou o nó da gravata italiana enquanto caminhava pelos corredores reluzentes do shopping Vila Lobos. Aos 45 anos, era dono de uma das maiores construtoras de São Paulo, acostumado a ambientes onde cada detalhe custava uma fortuna. Estava ali apenas para uma reunião rápida no restaurante Gourmet do último andar, discutindo a compra de mais um terreno na zona sul. - tuan - US Social News

Ricardo Almeida ajustou o nó da gravata italiana enquanto caminhava pelos corredores reluzentes do shopping Vila Lobos. Aos 45 anos, era dono de uma das maiores construtoras de São Paulo, acostumado a ambientes onde cada detalhe custava uma fortuna. Estava ali apenas para uma reunião rápida no restaurante Gourmet do último andar, discutindo a compra de mais um terreno na zona sul. – tuan

Mas quando passou pela praça de alimentação no segundo piso, algo o fez parar. Era uma voz feminina, baixa, tentando soar forte, mas quebrada pela emoção. Ricardo se virou instintivamente e viu uma mulher de cabelos castanhos presos num coque simples, vestindo um uniforme azul de limpeza, ajoelhada na frente de um menino de uns 8 anos.

May be an image of child

Miguel, filho, perdoa a mamãe. Não tem jantar hoje”, disse ela, segurando as mãos pequenas do garoto. A mamãe só conseguiu comprar o pão.

Amanhã a mamãe arranja um jeito, tá bom? O menino, magro demais para sua idade, olhou para a mãe com olhos que pareciam entender mais do mundo do que deveria. Não chorou, não reclamou, apenas assentiu e disse: “Tudo bem, mãe?

O pão tá bom”. Ricardo sentiu como se algo tivesse se movido dentro do seu peito. Ficou parado observando a cena quando de repente reconheceu o rosto da mulher.

O coração disparou. Marina. Marina Costa.

Havia trabalhado na recepção da sua empresa há três anos. Uma funcionária dedicada, sempre sorridente, que cumprimentava a todos com gentileza e que ele havia demitido sem ao menos uma conversa pessoal. A lembrança o atingiu como um soco.

Três anos atrás, durante a crise financeira que sua empresa enfrentou, precisou cortar custos. Seu gerente de recursos humanos trouxe uma lista com 20 nomes para demissão. Ricardo nem olhou direito, apenas assinou.

Marina estava nessa lista. Agora ela estava ali no chão de um shopping, pedindo perdão ao filho porque não tinha dinheiro para jantar. Ricardo se aproximou devagar, o coração batendo forte.

Marina levantou os olhos e, quando o reconheceu, seu rosto empalideceu. Rapidamente se pôs de pé, segurando a mão do filho. “Dr.

Ricardo”, disse com voz trêmula, tentando disfarçar a situação. “Não esperava vê-lo aqui, Marina.” Ele olhou para ela, depois para o menino. “Este é seu filho?” “Sim, é o Miguel.” Ela puxou o garoto para mais perto, como se quisesse protegê-lo.

Estávamos estávamos só descansando um pouco. Ricardo sabia que ela estava mentindo. Podia ver nos olhos dela a vergonha, o medo, a desesperança mal disfarçada.

Descobrir mais

Sobremesas

Táxi

Gestão Recursos Humanos

O menino olhava para ele com curiosidade, mas permanecia calado. “Vocês já jantaram?”, perguntou Ricardo, embora já soubesse a resposta. Marina hesitou.

“Já?” Sim, senhor. Estávamos só, só conversando. Miguel.

Ricardo se abaixou na altura do menino. Que tal se a gente fosse comer uma pizza? Eu estava pensando em jantar e detesto comer sozinho.

Os olhos do garoto se iluminaram, mas ele olhou para a mãe antes de responder. Marina estava visivelmente desconfortável. “Não precisa, Dr.

Ricardo. Nós já estávamos indo embora.” Por favor”, disse Ricardo. E havia algo em sua voz que ela nunca havia escutado antes.

Não era a voz do patrão dando ordens, era a voz de um homem pedindo. “Me deixem convidá-los para jantar. É o mínimo que posso fazer”.

Marina olhou para o filho, que a observava com esperança contida. Suspirou e assentiu. “Está bem, mas só porque o Miguel gosta de pizza.” Caminharam juntos até a praça de alimentação.

Ricardo pediu duas pizzas grandes, refrigerante, sobremesa. Sentaram-se numa mesa perto da janela que dava vista para a cidade iluminada. Miguel comeu com uma fome que partia o coração, tentando não parecer desesperado, mas falhando.

“Miguel tem 8 anos”, disse Marina, tentando manter a conversa. “Está no terceiro ano e gosta da escola?”, perguntou Ricardo. “Gosto sim”, respondeu o menino a boca cheia de pizza.

Descobrir mais

Serviços de vestuário

Gravata italiana

Cozinha e sala de jantar

“Quero ser engenheiro como você, doutor.” “Engenheiro?” Ricardo sorriu. “E por que, engenheiro? Porque minha mãe disse que você constrói casas bonitas para as pessoas morarem.

Quero construir uma casa bonita para minha mãe.” Ricardo sentiu um nó na garganta. Olhou para a Marina, que desviou o olhar rapidamente. “Onde vocês moram agora?”, e perguntou.

Em H E Heliópolis?” Marina respondeu baixinho. Dividimos um quarto com mais duas famílias. Não é muito, mas é o que conseguimos pagar.

Eu trabalho. Faço limpeza em escritórios à noite. Às vezes consigo trabalhos extras nos fins de semana.

Read More